AULA | 6° ANO | ATIVIDADE AVALIATIVA: LUGAR

 AULA | 6° ANO | ATIVIDADE AVALIATIVA: LUGAR



A cidade que (quase) ninguém via

Na pequena cidade de Monte Verde, os moradores sempre reclamavam da falta de opções de lazer. "Aqui não tem nada", diziam os jovens. "Só mato e poeira", reclamavam os adultos. O prefeito, então, teve uma ideia: construir um enorme shopping center no centro da cidade.

A obra durou dois anos. Quando ficou pronto, o shopping era realmente impressionante: três andares, 50 lojas, cinema, praça de alimentação. A cidade parecia ter se modernizado. Mas havia um problema: para construí-lo, foi necessário demolir uma antiga praça onde funcionava uma feira livre aos domingos.

Dona Graça, uma senhora de 78 anos, foi uma das poucas que não comemoraram a novidade. "Passei minha infância nessa praça. Comprei frutas com meu pai ali. Conheci meu falecido marido em um domingo de feira. Esse shopping pode ter tudo, mas não tem a minha história", desabafou.

O neto de Dona Graça, João, um garoto de 12 anos, não entendia o drama da avó. Para ele, o shopping era muito melhor. Até que um dia, revirando fotos antigas no porão de casa, encontrou imagens da praça: a mesma mangueira que ainda existia no local, agora enfeitando o estacionamento do shopping; o coreto onde sua avó dançava, substituído por uma loja de celulares.

João olhou pela janela do porão. Do outro lado da rua, o shopping brilhava. Mas ele começou a enxergar algo diferente: as marcas do que existia antes, as histórias que o asfalto e o concreto tinham coberto. Pela primeira vez, entendeu o que sua avó sentia.

Na escola, a professora pediu que os alunos desenhassem o lugar mais importante da cidade. Enquanto todos desenharam o shopping, João desenhou a antiga praça, com a mangueira, o coreto e as barraquinhas da feira. Alguns colegas riram. "Isso nem existe mais!", disseram.

"Existe sim", respondeu João. "Só que vocês não aprendem a ver."


Questões

Questão 01
Dona Graça recusava-se a ver o shopping como algo positivo porque, para ela, a praça demolida representava:

a) Um espaço mais moderno e organizado que o shopping.
b) Um lugar com valor afetivo, onde viveu experiências importantes.
c) Uma paisagem natural que foi desnecessariamente destruída.
d) Um espaço que demorou milhões de anos para se formar.

Questão 02
João, ao olhar pela janela do porão, passou a "enxergar algo diferente" no shopping. Isso aconteceu porque ele:

a) Percebeu que o shopping era maior do que imaginava.
b) Descobriu que o shopping foi construído em tempo recorde.
c) Compreendeu que o espaço carrega marcas do seu passado e das histórias vividas ali.
d) Entendeu que o shopping era um elemento natural da paisagem.

Questão 03
A demolição da praça para a construção do shopping é um exemplo de transformação do espaço que ocorre no:

a) Tempo geológico, pois alterou a formação das rochas.
b) Tempo histórico, pois resulta da ação humana em sociedade.
c) Mesmo intervalo de tempo da formação de uma montanha.
d) Tempo natural, já que envolveu apenas elementos da natureza.

Questão 04
Observe a descrição dos elementos da antiga praça e do novo shopping:

Antiga PraçaNovo Shopping
Mangueira centenáriaLoja de celulares
Coreto para dançaCinema
Barraquinhas de frutasPraça de alimentação

Se alguém observasse a paisagem do centro de Monte Verde hoje, poderia identificar:

a) Apenas elementos naturais, pois a mangueira ainda existe.
b) Apenas elementos culturais, pois tudo foi construído pelo ser humano.
c) Elementos culturais atuais (shopping) e vestígios de elementos culturais passados (a mangueira, que fazia parte da praça).
d) Que não houve mudança, pois a mangueira permaneceu no mesmo lugar.

Questão 05
Os colegas de João disseram que a praça "nem existe mais", enquanto ele afirmava que ela existia, "só que vocês não aprendem a ver". A fala de João mostra que:

a) Ele está confuso e não aceita a realidade.
b) A praça continua exatamente igual, escondida atrás do shopping.
c) Os lugares podem permanecer vivos na memória e na história das pessoas, mesmo após transformações físicas.
d) A praça só existia na imaginação de Dona Graça e João.

Questão 06
Se Dona Graça quisesse registrar as mudanças ocorridas no centro de Monte Verde ao longo do tempo, qual seria a melhor forma de fazer isso?

a) Fotografar o shopping todos os dias durante uma semana.
b) Comparar fotografias antigas da praça com fotografias atuais do shopping no mesmo local.
c) Medir a altura do shopping e comparar com a altura da antiga mangueira.
d) Desenhar o shopping exatamente como ele é hoje.

Questão 07
João desenhou a antiga praça em vez do shopping. Seu desenho provavelmente destacaria em primeiro plano:

a) As luzes e vitrines do shopping.
b) Os carros estacionados no local.
c) Os elementos da praça que lhe eram familiares e afetivos, como o coreto e as barracas.
d) A multidão de pessoas entrando no shopping.

Questão 08
A história de Monte Verde nos ensina que as transformações das paisagens:

a) São sempre positivas e devem ser comemoradas por todos.
b) Apagam completamente o passado, sem deixar vestígios.
c) Podem gerar conflitos entre diferentes formas de enxergar e valorizar o espaço.
d) Acontecem apenas em grandes cidades, nunca em pequenas como Monte Verde.


Gabarito

  1. B

  2. C

  3. B

  4. C

  5. C

  6. B

  7. C

  8. C


Tabela pedagógica para o professor

QuestãoHabilidade Exigida (em defasagem)Possível causa do erro
1Português: Inferir o sentimento/perspectiva de uma personagem a partir de suas falas e ações.O aluno pode focar no aspecto literal ("praça foi demolida") e não no subjetivo ("lugar de afeto"), essencial para o conceito geográfico de "lugar".
2Português: Compreender o sentido figurado de uma expressão ("enxergar algo diferente").O aluno pode interpretar a expressão de forma literal (mudança na visão física), perdendo a conexão com a ideia de permanência histórica no espaço.
3Matemática: Noção de escala temporal e classificação de eventos por duração.O aluno pode não distinguir a magnitude entre o tempo das transformações humanas (séculos/anos) e o tempo geológico (milhões de anos), classificando qualquer mudança como "tempo geológico".
4Matemática: Leitura e interpretação de dados organizados em tabela.O aluno pode ter dificuldade em comparar os elementos da tabela para perceber que a mangueira é um elemento de continuidade, representando o passado no presente.
5Português: Compreender a diferença entre o que é físico/concreto e o que é imaterial/simbólico.O aluno pode não alcançar a abstração necessária para entender que "lugar" envolve memória e afeto, limitando-se ao que é visível e tangível.
6Matemática: Compreensão de que a comparação de grandezas (no caso, paisagens) exige um referencial comum e controle de variáveis (mesmo local).O aluno pode sugerir um método que não permite a comparação direta (ex: fotografar o shopping por uma semana), por não entender a necessidade de manter o local como referência.
7Matemática: Noção de plano (primeiro plano) e perspectiva na representação de uma cena.O aluno pode não relacionar o conceito de "primeiro plano" com a intenção de quem observa/desenha, que destaca o que é emocionalmente mais significativo, e não o que é maior ou mais próximo fisicamente.
8Português: Sintetizar a ideia central ou a "moral" de uma narrativa.O aluno pode generalizar a partir de um detalhe da história ou escolher uma alternativa que contenha uma afirmação absoluta e incorreta (sempre/ nunca), em vez da conclusão mais equilibrada e complexa apresentada na alternativa correta.

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